Article

lock Open Access lock Peer-Reviewed

185

Views

ORIGINAL ARTICLE

The importance of pulse oxymetry in evaluation of hand's perfusion for harvesting the radial artery. Is the Allen test satisfactory?

Renato Bauab DAUAR0; Nilton de BARROS JUNIOR0; Paulo Ruiz Lucio de Lima0; Alberto Takeshi KYIOSE0; Luiz Eduardo Villaça LEÃO0; José Ernesto Succi0

DOI: 10.1590/S0102-76381998000300003

ABSTRACT

With the increasing utilization of the radial artery as a graft in CABG a reliable evaluation of the integrity of the palmar arch in each patient, is important in order to prevent classically vascular complications of the hand, one uses the Allen test, which is based on a subjective evaluation of the colour change of the hand, when the radial and ulnar pulse are pressed and, therefore, more prone to misinterpretations. For an objective evaluation, we propose this test, analyzing perfusion through pulse oxymetry, a simple method easily available in the operating room. Purpose: The authors present a new proposal to evaluate perfusion and integrity of the palmar arch by pulse oxymetry, comparing information obtained through method with the one obtained through the Allen test. Method: Fifty radial and 50 ulnar arteries from 25 patients in prone position were studied. Patients were 45 years or over, 19 males and 6 females, in stable cardiorespiratory conditions, and free of known peripheral vascular disease in the upper limbs. The oxymeter used was from Ohmeda, and the portable Doppler, with continuous flow from Medical Electronics. At first, the probe was put over the index finger of each hand sequentially observing the saturation level which we called initial. The Doppler was used for the radial and ulnar pulses. The Allen test was performed in each hand, digitally compressing both arteries, with the oxymeter in the second finger, observing the disappearance of the pulse wave. The ulnar artery was then released, causing the return of the pulse wave and obtaining the final saturation. In 96% of cases, there was a drop in saturation ranging from 0 to 2 points. The Doppler probe was located distally to the compression of the radial artery, showing no flow in it. Results: The Allen test proved to be satisfactory (return of colour to the hand in 5 seconds or less) in 35 procedures (70%), and unsatisfactory in 15 of them (30%). The oxymetry was normal in 49 procedures (98%), with an important saturation drop in just one case (2%), in which the Allen test was unsatisfactory. Conclusions: We observed a rather meaningful difference between the results from the Allen test and those from oxymetry, leading one to question the validity of the Allen test regarding its efficacy, since it is a subjective method compared to an objective one (oxymetry). Therefore, we could not be using the radial artery as a graft in 26% of the cases evaluated through the Allen test.

RESUMO

Com o crescimento da utilização da artéria radial como enxerto em operações de revascularização tornou-se importante a avaliação fidedigna da integridade da arcada palmar em cada paciente a fim de se prevenir complicações vasculares da mão. Classicamente, utiliza-se para esta finalidade o teste de Allen, que é baseado em avaliação subjetiva da coloração da mão ao se comprimir os pulsos radial e ulnar e, portanto, mais sujeitos a erros de interpretação. Com a finalidade de avaliação objetiva, propusemos a realização do teste, analisando-se a perfusão através da oximetria de pulso, método simples e facilmente disponível em centro cirúrgico. Objetivo: Os autores apresentam uma nova proposta para avaliação da perfusão e integridade da arcada palmar com a utilização do oxímetro de pulso e comparam os dados obtidos por este método com os do teste de Allen. Método: Foram estudadas 50 artérias radiais, 50 artérias ulnares de 25 pacientes em decúbito dorsal, com idade igual ou superior a 45 anos, sendo 19 do sexo masculino e 6 do sexo feminino, em condições cardio-respiratórias estáveis e sem alterações vasculares periféricas conhecidas em membros superiores. O oxímetro utilizado foi o da marca Ohmeda, sendo o Doppler portátil de fluxo contínuo da Medical Eletronics. A princípio colocou-se o dedal do oxímetro no dedo indicador de cada mão anotando-se a saturação que chamamos de inicial. Verificou-se ao Doppler os pulsos radial e ulnar. Foi realizado o teste de Allen em cada mão comprimindo-se digitalmente ambas as artérias, com o oxímetro no 2º dedo e observando-se o desaparecimento da onda de pulso. Após isso, descomprimiu-se a artéria ulnar retornando a onda de pulso e medindo-se a saturação final. Houve queda de 0 a 2 pontos, no valor da saturação, em 96% dos casos. O Doppler foi utilizado distalmente à compressão da artéria radial mostrando não haver fluxo nesta artéria. Resultado: O teste de Allen mostrou-se satisfatório em 35 (70%) procedimentos; insatisfatórios em 15 (30%); a oximetria resultou normal em 49 (98%) procedimentos com queda importante de sua saturação em apenas 1 (2%) caso, no qual o teste de Allen foi insatisfatório. Conclusões: Observamos que houve diferença significativa entre resultados do teste de Allen e do oxímetro, levando-nos ao questionamento da validade do teste de Allen quanto à sua eficácia, por tratar-se de um método subjetivo em contraposição a um método objetivo (oxímetro), conseqüentemente, estaríamos deixando de utilizar a artéria radial como enxerto em 26% dos casos avaliados pelo teste de Allen.
INTRODUÇÃO

A decisão de se utilizar a artéria radial em revascularização baseia-se, entre outros critérios, no teste de Allen, originalmente descrito em 1929 (1) e modificado ligeiramente a partir de então. O resultado do teste baseia-se na observação da velocidade de retorno de coloração da mão, portanto, qualitativo, subjetivo e sujeito a variação entre os observadores. Com o propósito de tornar a avaliação do teste mais objetiva, qualitativa e independentemente do observador, propomos a utilização de oximetria de pulso, que tem demonstrado boa correlação com a perfusão e oxigenação dos membros (2-4).

CASUÍSTICA E MÉTODOS

Foram estudadas 50 artérias radiais (AR) e 50 artérias ulnares (AU) de 25 pacientes internados em enfermaria, escolhidos aleatoriamente, com idade mínima de 45 anos, máxima de 72 anos e média de 58,5 anos. Dezenove eram do sexo masculino e 6 do sexo feminino.

As medidas foram tomadas com os pacientes em decúbito dorsal horizontal sem uso de medicação endovenosa contínua, em condições cardiorespiratórias estáveis e sem alterações vasculares conhecidas nos membros superiores.

Utilizou-se, para avaliação da perfusão da mão, o oxímetro de pulso portátil da marca Ohmeda com o dedal colocado no 2º dedo e para estimativa do fluxo arterial empregou-se o Doppler portátil de fluxo contínuo da marca Park Medical Eletronics.

Todos os estudos foram realizados pelo mesmo examinador.

O estudo se iniciou pela verificação da integridade dos pulsos radial e ulnar ao Doppler, seguido pelo registro oximétrico com o dedal posicionado no dedo indicador, obtendo-se a saturação inicial (Sat I). A seguir, realizou-se o teste de Allen (TA) comprimindo-se, simultaneamente, ambas as artérias no pulso com os polegares do examinador, obtendo-se palidez cutânea, acompanhado por movimentos de abertura e fechamento da mão pelo paciente, por dez vezes consecutivas. Logo após, descomprimiu-se, com a mão aberta, a artéria ulnar, observando-se o tempo de retorno da coloração palmar, classificando-o em satisfatórios (S) quando abaixo de 5 segundos e insatisfatório (I) quando acima disto.

Obtidos estes dados, recolocou-se o oxímetro no 2º dedo, aguardando-se a estabilização da onda de pulso com repetição do teste de Allen modificado, verificando-se, na compressão dos pulsos, a ausência de onda de pulso no oxímetro, comprovando-se pelo Doppler a ausência de fluxo na artéria radial distalmente à compressão (Figura 1). Logo após, descomprimiu-se a artéria ulnar, observando-se o retorno da onda de pulso e a saturação final (Sat F).


Fig. 1 - Esquema do procedimento realizado após liberação do pulso ulnar.

Valores obtidos da saturação inicial e final e avaliação do teste de Allen, classificado como satisfatório e insatisfatório, foram anotados em cada exame e comparados entre si, para determinação de sensibilidade e especialidade do TA.

RESULTADOS

Em todos os casos o Doppler não evidenciou fluxo pela AR, distalmente à compressão digital.

O teste de Allen (TA) foi considerado insatisfatório em 15 (30%) dos 50 exames (Tabela 1). Por outro lado, a diferença oximétrica Sat I - Sat F foi de 0-2 pontos em 49 (98%) das 50 medidas e em 1 caso este valor foi de 4 pontos (Tabela 2). Em apenas 1 (2%) caso (Tabela 2 - caso nº 1 lado E) houve associação de TA insatisfatório e Sat I - Sat F de 4 pontos (não esperada). Tomando-se a diferença Sat I - Sat F de 0 a 2 pontos como indicativo de perfusão palmar satisfatória e Sat I - Sat F de 4 pontos como perfusão palmar insatisfatória e comparando-a com o resultado do teste de Allen, obtivemos os valores de sensibilidade e especificidade do mesmo (Tabela 3).







COMENTÁRIOS

Na avaliação de 50 arcadas palmares, observou-se discrepância entre a avaliação do teste de Allen e os valores da oximetria em 14 (28,6%) dos 49 exames (Tabela 3). Esta diferença entre a avaliação oximétrica e o teste de Allen poderia levar o examinador que considerasse apenas TA, a desprezar em quase 1/3 das vezes a artéria radial.

O TA insatisfatório em 30% dos nossos pacientes coteja com dados de BENIT et al. (5) que fornecem cifras de 27% em série de 1000 testes realizados.

Todos TA considerados satisfatórios tiveram a diferença Sat I - Sat F de 0 à 2 pontos e em 1 caso com TA insatisfatório a oximetria teve queda de 4 pontos em relação à inicial. Isto nos permite considerar, para o presente estudo, a diferença Sat I - Sat F de 0 a 2 pontos como indicativo de boa perfusão palmar.

Segundo a Tabela 2 podemos ver que o único caso (nº 1 da Tabela 1 lado E) de queda oximétrica maior (perfusão palmar comprometida) correlacionou-se com o TA insatisfatório, conferindo sensibilidade de 100% ao teste, mas apenas 35 em 49 exames onde a queda oximétrica foi pequena (perfusão palmar satisfatória) o TA foi satisfatório conferindo-lhe especificidade de 71,4%.

CONCLUSÃO

A oximetria, nos casos estudados, serviu como método objetivo de avaliação da perfusão palmar.

Uma queda de 2 a 4 pontos na oximetria é considerada para este estudo como indicativo de boa perfusão palmar.

O teste modificado de Allen parece insuficiente para a avaliação da perfusão palmar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 Edgar V A - Tromboangiitis obliterans. Am J Med Sci 1929; 178: 237.

2 Lin G, Kais H, Halpern Z et al. - Pulse oxymetry evaluation of oxygen saturation in the upper extremity with an arteriovenous fistula before and during hemodialysis. Am J Kidney Dis 1997; 29: 230-2.

3 Gerlif C, Nielsen M D, Thigersen C, Andersen L I - Screening for prehypoxemia with oxymetry: a study of two methods. Ugeskr Laeger 1995; 157: 3897-900.

4 Duchna H W, Rasche K, Orth M, Schutze-Werninghus G - Sensitivity and specificity of pulse oxymetry in diagnosis of sleep-related respiratory disorders. Pnemologie 1995; 49 (Suppl 1): 113-5.

5 Benit E, Vranckx P, Jaspers L, Jackmaert R, Poelmans C, Coninx R - Frequency of a positive modified Allen's test in 1000 consecutive patients undergoing cardiac catheterizacion. Cathet Cardiovasc Diagn 1996; 38: 352-4.

CCBY All scientific articles published at bjcvs.org are licensed under a Creative Commons license

Indexes

All rights reserved 2017 / © 2022 Brazilian Society of Cardiovascular Surgery DEVELOPMENT BY