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ARTIGO ORIGINAL

Técnica para correção de truncus arteriosus tipos I e II sem condutos extracardíacos

Miguel Barbero-Marcial; Arlindo A Riso; Geraldo Verginelli; Fúlvio Pileggi; Adib D Jatene

DOI: 10.1590/S0102-76381989000100001

RESUMO

Uma nova técnica para correção cirúrgica do truncus arteriosus (TA) sem o uso de conduto extracardíaco foi realizada em 7 pacientes, senão 6 do tipo I, e do tipo II em 1 paciente; a idade variou de 2 a 9 meses. O tronco comum foi septado com retalho, dividindo-o em uma posição aórtica e outra pulmonar; a comunicação interventricular (CIV) foi fechada através de ventriculotomia; anastomose direta entre as artérias pulmonares e o ventrículo direito foi realizada, sendo a parede anterior construída com retalho de pericárdio bovino com válvula monocúspide. Houve apenas 1 óbito no pós-operatório. Nos 6 pacientes restantes, a relação entre as pressões sistólicas ventrículo direito/ventrículo esquerdo (VD/VE) foi menor que 0,51 em 5 pacientes; em 1 paciente, essa relação foi de 0,60, associada a CIV residual. Todos os pacientes encontram-se em classe funcional I (NYHA), em um período de 1 a 14 meses de pós-operatório. Baseados nestes resultados, propomos esta técnica para pacientes com TA tipo I ou II, no primeiro ano de vida.

ABSTRACT

A new corrective surgery for truncus arteriosus (TA) without the use of extracardiac conduit was employed in 7 patients with truncus (TA) type I in 6 cases and type II in 1 case, aged from two to nine months. The common TA was septated with a patch into aortic and pulmonary segments and the ventricular septal defect was closed through ventriculotomy; a direct anastomosis between the pulmonary arteries and the right ventricle was performed, the anterior wall of this, being contructed with a patch with a monocusp valve. There was one imediate postoperative death. In the surviving six patients the RV/LV postoperative peak systolic was less than 0.51 in five and 0.60 in one with residual VSD; all are in functional class I, in postoperative period between one and fourteen months. Based in these results we propose this technique for patients with type I or II, in the first year of life.
Texto completo disponível apenas em PDF.



Discussão

DR. IVO A. NESRALLA
Porto Alegre, RS

Desejo cumprimentar o Dr. Miguel Marcial e seus colaboradores, pelo magnífico trabalho apresentado. A técnica descrita é uma adaptação engenhosa e original da abordagem empregada na correção da tétrade de Fallot com hipoplasia do anel e do tronco pulmonar. Gostaria de discutir a problemática do emprego da monocúspide de pericárdio autógeno que, além de produzir graus variáveis de insuficiência pulmonar, sabidamente irá calcificar. Pergunto ao autor se não seria mais adequada a inserção de homoenxerto aórtico no trajeto VD-AP, Poderia ser de tamanho compatível com o crescimento da criança, evitando qualquer grau de insuficiência pulmonar, que, sabidamente, é a grande causa de maus resultados a longo prazo. As atuais técnicas de preservação dos homoenxertos aórticos são bem mais promissoras a longo prazo, quando comparadas a outros materiais biológicos. Muito obrigado.

DR. NILZO RIBEIRO
Salvador, BA

Serei bastante breve, com relação àquele paciente em que teve que ser interposta a aurícula esquerda e que teve morte súbita no pós-operatório; será que pode ter ocorrido a oclusão da descendente anterior? Esta é uma pergunta que eu faria ao Dr. Miguel; uma preocupação que eu tenho é que, realmente, nessa área da artéria que sai do ventrículo direito ela é muito angustiada; será que a incisão na víscera não nos coloca muito próximos às porções iniciais da descendente anterior e, por isso, pode trazer alguns problemas com relação à artéria? Esta é uma dúvida que eu gostaria que o Dr Miguel nos tirasse. De qualquer maneira, estão aqui os meus parabéns, acho que todos nós estamos altamente sensibilizados com o nível, com a seriedade do trabalho apresentado pelo Dr. Miguel e pela beleza, inclusive, da apresentação. Muito obrigado.

DR. BARBERO-MARCIAL
(Encerrando)

Obrigado pelos carinhosos comentários do Dr. Nilzo e do Dr. Ivo, que, realmente, me sensibilizaram muito. Quanto à pergunta feita pelo Dr. Nilzo Ribeiro, por que faleceu aquele paciente, nós temos a necropsia; eu acho que a criança teve uma parada cardíaca súbita, 18 horas após a operação e a criança estava aceitavelmente bem, sem baixo débito, somente com dopamina. Não conseguimos recuperá-la, levando para a sala e, com o auxílio da circulação extracorpórea, ficamos 2 horas tentando recuperá-la, mas foi impossível e a necropsia mostrou infarto septal muito extenso. Essa criança tinha uma CIV restritiva e nós precisamos ressecar toda a parte inferior do septo interventricular, era muito grande a ressecção para poder direcionar o ventrículo esquerdo para a aorta; como disse, o tronco estava nascendo totalmente do ventrículo direito e, então, tivemos que ressecar todo o septo e tunelizar tudo para o anel da aorta e, nesse momento, acho, cortamos as artérias septais que irrigam o feixe de His e seus ramos direito e esquerdo, levando a uma necrose total do feixe de His e seus ramos, havendo o infarto septal. Eu acho que a causa da morte foi essa. Como se sabe, a irrigação do nó atrioventricular vem através de um ramo, em geral, da coronária direita, é uma irrigação diversa da do feixe de His. Quanto à pergunta do Dr. Ivo, nós também conhecemos bem os novos trabalhos de um enxerto aórtico, tem dado resultados melhores que os outros tubos. Mas a certeza da reoperação existe já na primeira operação, pois o enxerto não cresce e, então, nós preferimos optar por uma operação que não precise tubos, porque, com esta nova operação, temos bastante chance de que não exista necessidade de reoperação futura. Muito obrigado.

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